quarta-feira, 29 de julho de 2015

Leitura em voz alta




Estou fazendo duas leituras de "O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota" do professor Olavo de Carvalho: uma silenciosa e outra em voz alta. Cheguei a fazer mais do que isso, lendo artigos avulsos e começando uma terceira leitura em voz alta. Até hoje não cheguei a ler completamente o livro, embora esteja perto do fim. Ler em voz alta é muito importante, porque você acostuma o ouvido à música das palavras e o texto se torna mais vivo. É como estar na presença do próprio autor, que fala com você. Num país em que o dia a dia é povoado por um português cheio de defeitos, criar um ambiente sonoro com mestres do idioma em torno de si é altamente necessário. É como um grupo de amigos composto por Camões, Machado de Assis, Cruz e Souza, Camilo Castelo Branco, José Lins do Rego, Ângelo Monteiro, Bruno Tolentino, Olavo de Carvalho e quem mais você quiser convidar, inclusive santos, profetas, apóstolos e o Verbo Divino (quando você lê Suas palavras nas Escrituras). 
Não sei quando terminarei as leituras de "O mínimo", mas o importante não é tanto chegar ao fim, mas exercitar-se no processo, aprofundando a compreensão e absorvendo a musicalidade a cada nova leitura. Depois, nada me impede de começar uma terceira ou quarta empreitada.

De médicos e professores

Você jamais entregaria seu filho a um médico que não soubesse medicar, que tivesse recebido uma péssima formação e que fosse receitar remédios nocivos a ele. Mas por que você não pode fazer o mesmo quanto aos professores que receberam uma horrorosa formação nas universidades e vão fazer mal à inteligência dos seus rebentos?

terça-feira, 2 de junho de 2015

Quanta preocupação!

Uma nova lei estadual vai proibir, a partir de julho, no Espírito Santo, a presença de sachês de sal e saleiros nas mesas de bares e restaurantes. A justificativa: é para inibir o consumo de sal, que faz mal à saúde. É nesse momento que podemos nos sentir amados pelo governo, que se preocupa tanto com a nossa saúde que vai tirar o sal da nossa mão, para que não nos entupamos com ele, afinal, sal é uma delícia.
Quem quiser colocar um pouco mais do tempero na comida terá de chamar o garçom. Imagina:
Chegam as batatas:
- Garçom, você pode me trazer um sachê de sal, por favor?
- Sim, senhor - ele reponde prontamente.
Você pensa bem.
- Não, não. Traz dois, porque acho que um vai ser pouco.
Ele muda de postura:
- Cuidado, senhor. Isso pode fazer mal para a sua saúde. Pesquisas mostram que o brasileiro consome mais sal do que prescreve a OMS.
- Mas é só um pouquinho mais.
- Não, senhor. Uma nova lei foi aprovada. Desculpe, mas eu não posso deixar sachê extra sobre a mesa. É para o bem da sua saúde. Espero que entenda.
O cliente, derrotado, olha para a esposa e conclui.
- Tudo bem. Acho que um sachê é suficiente.

Invenção utilíssima

Acabei de ter uma idéia que vai mudar radicalmente o mundo das relações humanas. É uma invenção que deixará as conversas e os ambientes sociais mais agradáveis e evitará constrangimentos desnecessários. No mundo de hoje, a higiene pessoal é de absoluta importância. Precisamos deixar os dentes, as unhas, a pele e os países baixos sempre limpos e cuidados. Na TV, estão anunciando um desodorante que aniquila todas as bactérias do sovaco, deixando-o protegido contra os maus-cheiros. Por isso, tive a idéia de criar o purificador de peido, que será utilíssimo para elevadores e outros ambientes fechados. Você coloca o aparelho na portinha de saída e fica bem à vontade para aliviar as tensões. Eu ainda não estabeleci o modelo, mas garanto que será o mais discreto possível para não fazer volume na calça e ninguém desconfiar que você está ocultamente praticando inconveniências. Privacidade é tudo!
IMPORTANTE: o purificador virá com silencioso embutido. Além disso, estarão disponíveis três filtros aromáticos (lavanda, eucalipto e flores silvestres). Prevejo que esse é o início da falência dos purificadores de ar, uma vez que 90% do mau-cheiro em lugares públicos advêm de futuns e flatulências.

PS: informaram-me que alguém já teve essa idéia, criando cuecas à base de carvão. Tenho a alegar que a minha invenção será melhor, pois cuecas de carvão não são cheirosas, enquanto a minha invenção terá filtros de lavanda, eucalipto e flores silvestres. 

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Utopia


Seria maravilhoso se todas as pessoas de uma sociedade tivessem a autoconsciência de um grande filósofo, como Platão ou Aristóteles, a capacidade expressiva de um grande escritor, como Machado de Assis ou Camões, o desempenho artístico de um Michelangelo ou Rembrandt, a habilidade científica de um Newton ou Einstein, e assim por diante. Mais maravilhoso seria se a escola regular oferecesse tudo isso para os alunos desde o prezinho. Acontece que existe uma coisa chamada interesse. Nem todos estão interessados em ser filósofos ou cientistas, mas preferem ficar trabalhando no seu serviço braçal. Nem todos querem se tornar gênios da música universal, mas se contentam em levar a sua vida num emprego regular, com alguns intervalos de diversão. Não se pode forçá-las a querer o que não querem, elas devem ser respeitadas, de modo que uma sociedade composta só de gênios filósofos-artistas-escritores-cientistas-etc é uma utopia que não se realizará.

terça-feira, 26 de maio de 2015

A linguagem é muito mais


A linguagem pode ser encarada de diversas maneiras: ela é um meio de comunicação, um instrumento de aquisição de cultura e compreensão da realidade, um instrumento de ação e de poder, um meio de ampliar a autoconsciência, um meio de absorver a ordem cósmica, etc. A linguagem pode ser vista a partir do Logos divino, mencionado pelo apóstolo São João para falar de Jesus Cristo, de modo que a Palavra de Deus é a razão que ordena e sustenta o cosmos, e a nossa palavra só é palavra na medida em que participa do Logos eterno. Entretanto, a visão que mais se repetiu na boca dos professores que me deram aula na universidade e falaram sobre o tema foi a de que a linguagem é um meio de comunicação, de interação e de poder, limitando-se assim a uma visão marxista. Que ela é isso, é, mas também é muito mais.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Poesia e metáfora


A poesia tem por característica se expressar por metáforas, analogias, palavras polissêmicas, porque a realidade nos chega pelos sentidos de maneira compacta e confusa, de modo que a poesia procura expressá-la da forma mais direta possível. O romance também utiliza a metáfora e palavras com mais de um sentido, pois, afinal de contas, também é literatura e lida com conteúdos imaginativos, porém sua linguagem é menos compacta e menos direta. A poesia, poeticamente falando, é a porta de entrada das palavras no mundo dos discursos. O romance já é o segundo degrau da escada.